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De Lagarto a Farmácia: A Incrível Origem do GLP-1
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De Lagarto a Farmácia: A Incrível Origem do GLP-1

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7 de Março, 2026 5 min 4 referências
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O primeiro medicamento GLP-1 da história veio do veneno de um lagarto do deserto. A história real de como um réptil venenoso revolucionou a medicina metabólica.

No deserto do Arizona, vive um réptil de aparência pré-histórica chamado Monstro de Gila (Heloderma suspectum). Com até 60 cm de comprimento, escamas pretas e laranjas, e uma mordida venenosa, ele não parece ter nada a ver com medicina. Mas foi exatamente no veneno desse lagarto que cientistas encontraram a molécula que daria origem a uma revolução farmacêutica de bilhões de dólares [1].

Em 1992, o endocrinologista Dr. John Eng, trabalhando no Veterans Affairs Medical Center em Nova York, estava estudando venenos animais em busca de peptídeos bioativos. No veneno do Monstro de Gila, ele isolou uma proteína chamada exendina-4 que tinha uma propriedade extraordinária: ela imitava o hormônio humano GLP-1, mas com uma diferença crucial — enquanto o GLP-1 humano é destruído pelo corpo em 2-3 minutos, a exendina-4 permanecia ativa por horas [2].

A razão biológica é fascinante. O Monstro de Gila come apenas 3-4 vezes por ano. Entre as refeições, que podem ser separadas por meses, ele precisa manter seus níveis de glicose estáveis. A exendina-4 evoluiu ao longo de milhões de anos para fazer exatamente isso — regular o metabolismo de forma prolongada e eficiente [3].

A descoberta de Eng levou ao desenvolvimento da exenatida (Byetta®), aprovada pelo FDA em 2005 como o primeiro medicamento GLP-1 da história. A partir daí, a corrida começou: a liraglutida (Victoza®/Saxenda®) veio em 2010, a semaglutida (Ozempic®/Wegovy®) em 2017, a tirzepatida (Mounjaro®) em 2022, e agora a retatrutida se prepara para ser a próxima evolução.

O que é notável é como cada geração melhorou sobre a anterior. A exenatida exigia duas injeções diárias. A liraglutida reduziu para uma por dia. A semaglutida revolucionou com uma injeção semanal. E a retatrutida não apenas mantém a conveniência semanal, mas adiciona o terceiro receptor (glucagon) que nenhum dos seus predecessores possui.

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Hoje, os medicamentos GLP-1 geram mais de US$ 50 bilhões por ano em vendas globais. Tudo começou com um lagarto venenoso no deserto do Arizona. É um lembrete poderoso de que a natureza frequentemente guarda as soluções para nossos maiores desafios de saúde — às vezes nos lugares mais inesperados. Laboratórios modernos como a True North Labs e outros ao redor do mundo agora trabalham com versões sintéticas altamente purificadas dessas moléculas, levando a ciência do deserto do Arizona para clínicas em todo o planeta.

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Referências Científicas

  1. [1]Eng J, et al. Isolation and characterization of exendin-4, an exendin-3 analogue, from Heloderma suspectum venom. J Biol Chem. 1992;267:7402-7405.
  2. [2]Drucker DJ, Nauck MA. The incretin system: glucagon-like peptide-1 receptor agonists and dipeptidyl peptidase-4 inhibitors in type 2 diabetes. Lancet. 2006;368:1696-1705.
  3. [3]Furman BL. The development of Byetta (exenatide) from the venom of the Gila monster. Toxicon. 2012;59:464-471.
  4. [4]Knudsen LB, Lau J. The Discovery and Development of Liraglutide and Semaglutide. Front Endocrinol. 2019;10:155.